Será que esse mito existe para apenas justificar o baixo investimento das organizações em medidas de segurança? Não? Então, porquê o gestor muda seu comportamento assim que surgem fatos (crimes), saindo da inércia para tomar medidas urgentes e concretas de segurança? Segundo o mito, não seriam inúteis?
Veja o repeito que o "senhor" ladrão ganhou desse gestor, que adotou medidas criminosas para tentar amenizar seu problema de segurança.
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Depois do susto, a mitologia apologética do crime volta para esconder o fracasso fático da gestão. Nomes complicados para obscurecer os fatos e aliviar a vergonha dos gestores. Afinal, ser roubado por “semideuses do crime” é melhor que perder para simples “ladrões de galinha”: pobres, desnutridos e desqualificados. Desqualificados para o trabalho sim, mas ousados e bem sucedidos nos seus intentos criminosos.
Assim como o crime, a Segurança é um empreendimento. Requer vontade, planejamento, inteligência, capacitação, tecnologia, responsabilidade, comprometimento, sinergia e ousadia (investimento).
Em nosso sistema econômico (capitalista), investir é mesmo uma ousadia. Portanto, alguns gestores tremem ao terem que fazer os investimentos necessários em segurança, pois não sabem como empreender e nem a quem confiar uma consultoria - quanto custaria isso? Gestores leigos, sob os riscos das incertezas, só enxergam os custos das medidas de segurança e dos fatos criminosos, não os riscos.
Além de ser um complexo de problemas (econômico, social, técnico, operacional, financeiro...), a segurança também é um paradoxo moral: como um jovem “desqualificado” pode ter tanta dificuldade para conseguir um emprego nas organizações e tanta facilidade para roubá-las? Seu crime lhe traria uma vantagem econômica e ainda faria uma prova perversa de sua "inteligência"...
Diante desse paradoxo e das demais circunstâncias que geram riscos, os gestores têm dificuldades para dar início às suas estratégias e políticas de segurança - nos parâmetros do sistema econômico capitalista. Com a atividade econômica da organização à todo vapor, focada apenas no lucro, os gestores dos problemas de segurança ficam em grandes dificuldades - como se tivessem que consertar um pneu furado sem parar o carro...
Sem plena noção dos riscos e das soluções para segurança, os gestores vão empurrando o problema com a barriga, sem investir em medidas preventivas. A miopia dos gestores é agravada porque não existem sintomas visíveis dos riscos (nem da segurança) como as evidências dos roubos e furtos - que já não seriam sintomas ou riscos, mas fatos.
Na segurança até o sucesso é invisível! Mesmo que os objetivos estratégicos estejam sendo plenamente alcançados na organização, ninguém vê. Por isso, muitos colaboradores acham que a segurança é uma luta inglória - o que nos traz de volta ao estigma mitológico apologético da criminalidade bem sucedida...
Já as ações criminosas podem ser visivelmente bem sucedidas, além de tornar visível o fracasso da gestão de segurança. O furo na gestão de segurança é um vexame, público e notório. E o pior é que as ações criminosas bem sucedidas levantam suspeitas contra gestores e colaboradores da segurança: ganância, irresponsabilidade, incompetência, negligência, conivência e fraude na organização.
Ou seja, além do prejuízo material da organização, o sucesso de um evento criminoso ainda deixa um prejuízo moral para o gestor e seus colaboradores. Isto aumenta a responsabilidade dos que trabalham pela segurança.
Por isto, os gestores precisam rever suas estratégias para manter a sinergia na organização; os abnegados colaboradores precisam sempre rever suas funções táticas e técnicas; e os usuários dos sistemas estarem atentos às normas de utilização... Enfim, todos estarem comprometidos e interessados na segurança, cada um no seu papel, atribuição ou missão.
Por isto, os gestores precisam rever suas estratégias para manter a sinergia na organização; os abnegados colaboradores precisam sempre rever suas funções táticas e técnicas; e os usuários dos sistemas estarem atentos às normas de utilização... Enfim, todos estarem comprometidos e interessados na segurança, cada um no seu papel, atribuição ou missão.
Estudos de vulnerabilidades e estratégias de segurança são baseados na experiência de eventos criminosos passados, bem sucedidos ou não. Com ajuda especializada, aprende-se até com eventos criminosos ocorridos em outras organizações. A cada nova ação criminosa (bem ou mal sucedida) se pode trazer algo útil para a gestão de segurança da organização vitimada, e às demais.
O gestor da Segurança deve sempre motivar e apoiar os colaboradores, visando manter a sinergia do grupo. Observar os comportamentos humanos, que provocam as falhas tecnológicas e outros riscos.
Como não existe segurança absoluta, a qualidade da segurança é sempre relativa. Esta "qualidade" fica relacionada ao processo estratégico da gestão de segurança; aos recursos humanos e tecnológicos disponíveis diante dos riscos que se quer controlar; ao nível de prevenção desses riscos; ao nível de eficiência e eficácia das medidas; ao grau de sinergia dos colaboradores; ao fiel cumprimento de metas estratégicas e tarefas operacionais, estabelecidas claramente.
A sinergia é criada e mantida pela Cultura de Segurança nas organizações. Sua ausência da traz de volta a Mitologia Apologética do Crime, como forma de justificar fracassos ocasionados pela falta de planejamento, investimentos, capacitação e treinamento na área de segurança privada.
Embora os problemas de segurança sejam complexos, é bastante comum que as organizações façam simples aquisições de sistemas de vigilância eletrônica, através dos setores de compras. Assim, essas tecnologias são negociadas como qualquer item da administração de compras, mantendo o foco apenas nas vantagens comerciais das transações e nos lucros imediatos da organização, não na segurança. Esse já seria o primeiro passo em direção ao fracasso.
O processo de coaching pode ajudar o gestor a desenvolver uma visão ampla da segurança, da sua vida pessoal e da organização, capacitando-se a criar estratégias com “noção integral”, visão clara do compartilhamento da missão; podendo ter melhor visão das atribuições específicas, dos limites das responsabilidades de cada colaborador; dos objetivos estratégicos de cada item de segurança implantado.
Sem essa capacidade, fica difícil para o gestor - que tem inúmeras atribuições na organização para torná-la lucrativa - fazer a coordenação estratégica e tática de um plano de segurança orgânica, com sinergia operacional.
No mercado da vigilância eletrônica, é rara a proposta de integração entre a tecnologia e a gestão tático-estratégica das organizações; que atenda as reais necessidades de segurança da organização, das pessoas, e respeitem as leis em vigor. O que existe é simples compra/ venda de objetos tecnológicos, de serviços de monitoramento e de pronta resposta. Comércio que pode trazer + risco.










